sábado, 18 de julho de 2015

"me poda"

 "me poda, me poda por inteiro; me toma pelo tronco e me arranca pelas raízes; me retira totalmente da terra; me desfinca e não deixa nenhum fio de raiz, desfaça a possibilidade de parte de mim voltar a brotar; e desta forma vai estar despindo a minha Alma; continua e envenena toda a terra, torna-a infértil, tira toda a vida que houver nela; caça ao redor, e busca por todas as minhas sementes, faça-as pó e queima, para que não exista mais nada de mim; e vai estar me tornando uma lembrança; segue em busca do restante da minha folhagem, anda pelos caminhos e vai tomar da vizinhança os frutos e as flores provenientes do meu ser, e destrua-os também; e me tornará uma metáfora; volte-se aos altares em que ofertaram do meu perfume, e volte-se aos quartos das moças que têm os frascos do meu perfume, da produção da minha essência enquanto eu tinha vida ali fincada àquela terra; e você poderá me queimar no fogo me tornando denso ou me dissolver na água me tornando tênue, e nem por isto fará com que eu deixe de existir, porque a brisa e os ventos me levarão; volte-se a Ishtar e mira em seu ventre;  está N'ela a minha continuação, estão N'ela as minhas ancestrais; tenta colher do sangue do seu útero, tenta colher do muco da sua vibração ou do coito com o seu consorte, e se lembra que eu renasceria infinitamente” 

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