sábado, 18 de julho de 2015

"me poda"

 "me poda, me poda por inteiro; me toma pelo tronco e me arranca pelas raízes; me retira totalmente da terra; me desfinca e não deixa nenhum fio de raiz, desfaça a possibilidade de parte de mim voltar a brotar; e desta forma vai estar despindo a minha Alma; continua e envenena toda a terra, torna-a infértil, tira toda a vida que houver nela; caça ao redor, e busca por todas as minhas sementes, faça-as pó e queima, para que não exista mais nada de mim; e vai estar me tornando uma lembrança; segue em busca do restante da minha folhagem, anda pelos caminhos e vai tomar da vizinhança os frutos e as flores provenientes do meu ser, e destrua-os também; e me tornará uma metáfora; volte-se aos altares em que ofertaram do meu perfume, e volte-se aos quartos das moças que têm os frascos do meu perfume, da produção da minha essência enquanto eu tinha vida ali fincada àquela terra; e você poderá me queimar no fogo me tornando denso ou me dissolver na água me tornando tênue, e nem por isto fará com que eu deixe de existir, porque a brisa e os ventos me levarão; volte-se a Ishtar e mira em seu ventre;  está N'ela a minha continuação, estão N'ela as minhas ancestrais; tenta colher do sangue do seu útero, tenta colher do muco da sua vibração ou do coito com o seu consorte, e se lembra que eu renasceria infinitamente” 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

sobre as orações, a feitiçaria e os encantamentos

"... e já se dizia que toda a oração bem ou mal direcionada e intencional sobre uma pessoa ou situação, teria os mesmos efeitos que os feitiços muito bem encaminhados; mas que os encantamentos, estes surtiriam efeitos bem mais devastadores sobre a mente e as vontades da alma da pessoa "encantada" ... porque os feitiços, que podem também ser comparados às mais altas formas de maldição, pois se sobrepõem aos verdadeiros desejos do "enfeitiçado", estes amarram, tolhem, embaraçam, cortam ou fecham caminhos, mesmo com o esforço consciente do enfeitiçado, que ainda continua a se manifestar; já os encantamentos para o bem ou para o mal, são uma pior forma de controle mental do que o feitiço, por isto se sobrepõem a toda forma de feitiçaria, justamente porque exercem uma forma de poder que controlam e dopam mentes, assim anulando as ações e os desejos próprios da alma da pessoa "encantada"... como se fosse uma consciência à parte e daí os "encantados" passam a tomar atitudes e caminhos que não são os seus verdadeiros; mesmo os mantras mais singelos, que direcionados na forma de vontades sobre outras pessoas, como uma forma de encantamento, estariam sobrepostos a Consciência Maior e à Mente do "encantado", porque segue a ordem das ações direcionadas e sobrepostas ou impostas de uma pessoa sobre outra pessoa, por isto, segue a ordem dos sentidos de Consciência e energia Inferior"

terça-feira, 31 de março de 2015

e se eu me consumir pelo vislumbre do que conhecemos por amor

" ... e se eu me consumir pelo vislumbre do que conhecemos por amor, que eu me consuma pelo amor que eu permiti brotar do meu peito, mesmo que pelo amor que por ventura eu não tenha vivido plenamente, mesmo que pelo amor não correspondido, não aceito ou não compreendido, mas que eu não me consuma pelo amor abafado dentro do meu peito, pelo amor que eu não reconheci, pelo amor que eu tenha feito calar dentro de outro peito; que eu não experiencie a cegueira de não reconhecer o amor quando brota de outro peito; eu rogo para que eu não me consuma com o remorso das almas que não viveram ou que não se permitiram viver os seus amores de reencontro e de resgate; e que eu me renda à humildade de aceitar e perdoar, sem julgamentos, as almas que engatinham por esta passagem sem conhecer o vislumbre do que conhecemos por amor! que eu consiga alcançar a compaixão para compreender as almas que amaram com amor sofrido, com amor amargo, com amor de dor, com amor de apego... que um dia aquelas almas consigam compreender o egoísmo da forma com que amaram, ou de que se negaram a amar... porque o que fica, não é como dizem, o amor que damos ou que recebemos, mas é sim, o amor que nos permitimos sentir, seja lá em qual forma for, seja do nosso peito ou de outro peito; que eu consiga me doar no despertar das formas ou vislumbres do que conhecemos por amor, por mim e pelas outras almas com quem batemos de frente nos caminhos do tempo... e se eu me consumir, que antes, eu me consuma pelo amor de amar a mim mesmo"